quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

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17 de Fevereiro de 2011

Querido Diário,

Hoje mas talvez só hoje, não sinto a consciência tão pesada, nem dores de qualquer tipo, mas desconheço o motivo, já me estava habituar a elas. Sinto um vazio terrível, capaz de tudo, ou nada .
Caí, o chão estava completamente frio e sentia os vidros partidos na carne, mas não de dor e não sangrei, apenas me provocaram cócegas, mas porquê ?!
Não sinto fome, sono, nada ! Apenas sinto a sua ausência, preencherá o vazio, digo eu .
A raiva que sentia, vai-se diluindo lentamente, deixei de perceber a causa .
Apenas e só sei que preciso de ti !

Por agora é tudo .

Cristiana

domingo, 6 de fevereiro de 2011

espelho .


Aconteceu tudo tão depressa, lembro-me de estar a dormir e acordar com gritos no quarto ao lado. Levantei-me com uma energia inexplicável, fui a correr para lá, mas não vi ninguém. Terei sonhado ? Voltei para a cama e voltei adormecer.
Acordei, e lembrei-me do sonho da noite passada, fui verificar novamente se teria sido apenas um sonho. Era vermelho e espesso, sangue ?! Mas como ?! Não tinha dormido lá ninguém. Como é possível não ter visto nada ontem ? Tentei manter a calma e ligar para a polícia. Eles poderiam fazer algo em relação a isto. Mas será que eles possam pensar que fui eu ?! Talvez seja melhor não fazer nada.
Troquei os lençóis e as mantas, tentando esquecer o assunto. Deve ser apenas fruto da minha imaginação.
À noite, quando estava deitada com as mãos na nuca a olhar para o tecto, voltei a ouvir gritos, levantei-me com medo do que pudesse encontrar. Um vulto negro rodopiou os meus ombros, eu estava a tremer de horror. Era fria e tinha asas, parecia um anjo de asas negras. Tinha olhos escuros, pareciam um espelho no qual via a minha imagem reflectida neles. Tentei dizer alguma coisa, mas as palavras estavam presas na minha garganta, impedidas de sair. Aproximou-se de mim tão depressa que ao tentar fugir tropecei no tapete. Ele agarrou-me com força nos ombros, tentei fazer uma força sobrenatural para o afastar de mim, ele queria-me matar, vi a fúria que ele tinha nos olhos. Consegui afasta-lo de mim, ao tentar levantar-me, ele agarrou-me pelo tornozelo com tanta força que gritei ao cair no chão.
- Larga-me !  O que queres de mim ?
- Quero que te acalmes !
- LARGA-ME ! – fiz uma força enorme para que soltar, mas não conseguia, ele era demasiado forte .
- Tem calma, não te quero fazer mal.
Tentei-me acalmar, tinha o coração a saltar-me do peito com o pânico e a respiração tão ofegante que me doía os pulmões. O que queria ele de mim ? O que estava a fazer aqui, em minha casa ?! Terá sido ele o responsável pelo sangue da noite passada ? Mal conseguia pensar, queria-o longe de mim !
- O que estás aqui a falar ? Queres-me matar ? – disse a medo de qual seria a resposta.
- Não, sei que estás com medo, mas estou aqui para te proteger e não para te fazer mal.
Senti um frio tremendo, como se algo não estivesse a fazer sentido. Proteger de quê ? De quem ?! O que estava ele a falar ? Belisquei o meu próprio braço para ter a certeza que não estava a sonhar. Não, não estava.
- O quê que estás a falar ? Proteger-me de quem ?
- De ti, das tuas inseguranças, dos teus medos e das sombras que de rodeiam.
- Não sei do que estás a falar ! – menti, por sabia perfeitamente ao que ele se referia. Sinto-as praticamente desde que nasci.
- Estás a mentir, consigo saber o que sentes.
- O que queres dizer com isso ?! Saí já daqui – disse furiosamente.
- Respira fundo e ouve-me. Eu apenas te quero proteger, sou o teu anjo-da-guarda. Ontem uma dessas sombras se tornou num demónio que te queria matar.
- Porque é que não vi sangue nenhum ontem ?
- Os anjos têm o poder de entrar na mente das pessoas, e tu como és mais frágil é mais fácil. Eu estive sempre contigo, apenas não me conseguias ver. Mas achei que era a altura de saberes a verdade.
Agora sei o motivo por sentir uma presença estranha sempre comigo, era ele. Mas algo não está bem, sinto-o perigo dentro de mim. Aqueles olhos negros não me inspiram confiança. De certeza que está a mentir !
- Porquê a mim ? – perguntei em tom quase de choro.
- Porque és especial, sinto necessidade em te proteger. À muito que te admiro, estava perto de ti, mas não te podia tocar. – começou-se aproximar de mim, sentia a respiração dele na minha cara.
- Deixa-me ! Nem sei quem és, de onde vens. Não sei se deva confiar em ti. – afastando-me dele, cada vez mais irritada.
Ele inspirava-me perigo, mas no fundo senti uma atracção por ele. Como é possível se nem o conheço ? Não sabia da reais intenções dele.
- Confia em mim, não te farei mal. – disse num carinhosamente ao ouvido, fez-me arrepiar.
-Vai-te embora ! – disse gritando.
Afastando-se de mim, abre as enormes asas negras e sai pela janela a voar. Ainda estava tão assustada que me custava a respirar. Será que ele estava a dizer a verdade ? Havia algo nele que me traia, talvez o perigo que ele transmite ou pelos seus olhos negros. Tentei-me acalmar, mas não conseguia, tinha medo se ele pudesse regressar. Ainda tinha a impressão que ele me queria matar.
Fui-me deitar, na esperança de conseguir dormir. Olhei para o relógio, eram 1h30min e não tinha sono de tão assustada. Não parava de pensar no rapaz de asas negras, que dizia ser meu anjo da guarda.
As horas foram passando e não conseguia adormecer, de repente sinto alguém a bater à janela do quarto, era ele. Parecia ferido numa das asas, salto da cama e abro a janela. Ele caí-me sobre os ombros, sem forças. Era pesado, mas na altura só me preocupei em saber o que se passou e em como havia de tratar a ferida, era muito profunda.
- Quem te fez isto ? O que se passou ? – disse, deitando-o sobre a cama.
- Fica comigo, por favor. – disse antes de ter desmaiado de dor, sentia-o a tremer nos meus braços, estava frio e a perder muito sangue.
Deitei-o sobre uma das almoçadas, fui buscar toalhas e ligaduras. Quando cheguei ao quarto, ele tentava meter-se de pé, mas caiu, ajudei-o a levantar-se. Estava tão fraco e conseguia sentir os batimentos do seu coração, voltei a deita-lo
- Ele era muito mais forte que eu, não consigo lutar contra ele. – disse olhando-me nos olhos e puxando-me contra o peito cheio de sangue, como de certa forma o fizesse sentir protegido.
- Quem era ? Porquê que te fizeram isto ?
- Gabriel, um arcanjo que me tentou arrancar as asas por ter um passado obscuro. – disse tremendo.
- Passado obscuro, como assim ? – senti-me estúpida por perguntar isto numa situação como esta, mas era tarde.
- Desobedeci a ordens superiores, mas agora queria-me redimir. Fazer tudo de novo, mas não me deixam. Por isso me mandaram ser o teu anjo da guarda, mas mesmo assim ainda ando à minha procura, e este arcanjo está à procura de vingança por ter descido à terra.
Sentia-o a tremer de frio, pois ele parece que não sentia qualquer dor física, apenas emocional. Sentia a dor dele dentro dos seus olhos negros. Tentei aquece-lo de alguma forma, mas ainda estava molhado de sangue.
- Agora descansa, estás a precisar, aqui estás protegido. – disse enquanto tentava limpar-lhe o sangue e desinfectar as feridas.
Numa questão de segundos ele puxou-me novamente contra dele, beijei-o. Não sei descrever a sensação, sentia-me confusa. Estarei-me apaixonar por ele ? Um anjo do qual o nome desconheço ? Não queria acreditar, senti que a minha vida se tivesse tornado uma confusão. Quando vim a mim, afastei-me dele metendo as mãos à cabeça.
- Porquê que fizeste isso ?
- Precisava de sentir os teus lábios, posso não sentir dor física, mas sinto por dentro. – apertou a minha mão contra o peito dele, conseguia sentir o seu coração, voltou-se aproximar da minha cara – consegues sentir ?
Senti um aperto forte no coração e a sinceridade com que ele me beijava.
Adormeci nos seus braços, mas quando acordei ele não estava lá. Vi uma das suas penas sobre a mesa de cabeceira, era branca. Como é possível ? ele tinha as asas negras, eu vi na noite passada !
Segunda-feira e mais um dia de aulas, não tinha cabeça para ali estar, sentia-me longe daquele sítio. O dia nunca mais acabava, estava ansiosa por chegar a casa, mas porquê ? Estarei-me mesmo apaixonar por ele ? Uma criatura surreal, se não sei as reais intenções dele.
Finalmente estava a ir para casa, estava alguém a seguir-me, olhei para trás, estava vestido de negro e também tinha asas, mas não de penas, eram sombras. Seria Gabriel, o arcanjo que tentou matar o meu anjo da guarda ? Comecei a correr, eu sabia que ele me conseguia apanhar e apanhou-me, levantando-me do chão.
- Deixa-me ! – gritei – o que queres de mim ? quem és tu ?
- Não te faças desentendida, sei que já ouviste falar de mim. – agressivamente.
- Onde me levas, mete-me no chão !
- Vamos fazer uma visita ao teu anjinho da guarda !
Ele levou-me até minha casa, a porta tinha sido arrombada. Tinha vestígios de violência no interior, estava completamente destruída. Vi-o deitado sobre cacos de vidros partidos, estava a perder uma enorme quantidade de sangue. Tinha um estilhaço de vidro espetado na omoplata, estava imóvel e sem forças, tentava em vão levantar-se.
- Então, estás mais feliz por ver a tua querida ? - disse Gabriel.
- Deixa-a ir, isto é só entre tu e eu !
- Pensei que fosse mais divertido mete-la ao barulho, mas como queiras !
Agarrou-me no cabelo com força, gritei. Ao ver-me assim, o meu anjo novamente levantar mas caiu novamente. Gabriel riu-se e com uma força  inacreditável atirou-me contra uma parede, perdendo assim os sentidos.
Não me lembro de nada, quando voltei a mim, o meu anjo da guarda estava ao meu lado na cama. Senti uma forte dor de cabeça ao tentar levantar o tronco.
- Era melhor ficares deitada, precisas de descansar. - disse calmamente.
- O que se passou ? Onde está Gabriel ?
- Morto ! Foi uma luta difícil, mas já passou.  
- Estás ferido ! – vi os grandes ferimentos que ele tinha no braço, nem consegui olhar para as costas, de onde ele devia ter extraído o estilhaço de vidro espetado.
- Não te preocupes, eu não sinto dor. Apenas anjos podem matar outros anjos, mas é necessário uma espada especial, Gabriel não tinha essa espada consigo, foi-lhe tirada quando ele saiu do céu.
- Então como o matas-te ?
- Com isto – levantando uma espada, parecia prata, afiada, era diferente das espadas medievais que via em filmes, era mais curta e com uma forma circular – ele tentou tirar-la mas não conseguiu.
Começou-se aproximar de mim, nesse momento reparei que ele tinha as assas brancas. Foi-se aproximando cada vez mais, ele estava inclinado para mim, estava prestes a beija-lo, quando perguntei :
- Qual é o teu nome ?
- Alexandre .